Descaminho


De longe te hei de amar, da tranquila distância em que o amor é saudade e o desejo, constância.

Não se morre de amor – não, de repente:
morre-se por amor – e de mansinho...
Vai-se morrendo tão devagarinho,
que ninguém o percebe – nem a gente.
Anda-se a esmo, num olhar sozinho,
como se o tempo, em vez de ser presente,
fosse apenas um vácuo absorvente:
um aborto de vida, um descaminho.
As cores vão ficando desbotadas;
as notas das canções, desafinadas;
o sentir-se no ser tão imperfeito,
que o coração vai-se perdendo d’alma,
e nem mais dói – porém não mais se acalma,
porque também não tem lugar no peito.
E nem na alma

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    # by Joycinha - 4 de outubro de 2009 21:51

    Que lindo texto hein! Amei

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    # by mano maya kosha - 6 de outubro de 2009 18:50

    o único aspecto, onde sofrer amadurece, e o que não se recebe, ainda assim se faz valer

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Bruno Alves